Deuses americanos

deuses americanos

 

“Nenhum homem, proclamou Donne, é uma ilha, e ele estava errado. Se nós não fôssemos ilhas, estaríamos perdidos, afogados nas tragédias dos outros. Nós nos isolamos (uma palavra que significa, literalmente, lembre-se, ser transformado em ilha) da tragédia dos outros por nossa natureza de ilha, e pelo desenho e pela forma repetitiva das histórias.”

Deuses Americanos, Neil Gaiman 

 

Dependemos do relacionamento com outras pessoas; caso contrário, como espécie, não sobreviveríamos. Precisamos de proteção, de abrigo, de alimento. E tudo isso não se conquista sozinho. Mas também precisamos de certa proteção pessoal, de um pequeno isolamento emocional. Precisamos ser ilhas; ilhas próximas, é verdade, mas independentes. Ou, como coloquei em meu livro, somos como árvores tímidas:

“Existe algo que faz parte de nosso instinto, embora alguns, ou todos, às vezes tentem negar. A humanidade presente em nós não pode viver em solidão, buscando constantemente o espelho do outro, do semelhante. Sem isso, não é possível se enxergar. E, por ser tão vital, a questão do relacionamento e seus conflitos é constante em nossas vidas e artes, e constitui nossa noção de civilização. O jogo de amor e ódio por aqueles que não são o eu se assemelha às árvores tímidas, cujas copas crescem sem se encostar. Tão perto e distante, os galhos e folhas desenham seus espaços pessoais. A linha vazia não possui uma explicação definitiva. Talvez seja para evitar que insetos passem de uma árvore para outra, o que ocorreria caso pudessem se tocar. Talvez seja para permitir a entrada da luz vital, evitando o colapso de todo o sistema. E como árvores tímidas se consolida nosso espetáculo. É preciso manter esse espaço, ainda que mínimo, esse santuário intransponível entre o eu e o outro. Não se sabe se para evitar a destruição que esse outro pode nos causar, ou se como sacrifício para a proteção de nossa frágil civilização.”

Árvores Tímidas, Bia Ribeiro

 

Para celebrar a Campanha Janeiro Branco, trarei todo dia aqui ao Bipolar e Afins uma série de postagens com trechos de livros para refletir sobre saúde mental. Siga o blog e não perca nenhum texto!

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