Felicidade clandestina

felicidade clandestina

 

“Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.”

Felicidade Clandestina, Clarice Lispector

 

Desejava tanto que a expectativa de realizar o desejo já trazia a sensação do sublime. Mas quantas vezes deixamos o dia a dia nos abater e levar embora nosso encantamento? Deixamos de apreciar e desejar com todo o coração um livro, um filme, uma música? Ficamos ocupados com contas e consumismo. E o simples se esvai. Temos tudo com tanta facilidade, tudo tão ao acesso de um clique, o movimento de um único dedo e nos ofertam o infinito de textos, imagens, vídeos, memes, comentários, filmes, séries… E temos sem antes desejar, temos sem expectativa, consumimos sem apreciar. Não nadamos mais num mar suave, com ondas nos levando e nos trazendo.

Para celebrar a Campanha Janeiro Branco, trarei todo dia aqui ao Bipolar e Afins uma série de postagens com trechos de livros para refletir sobre saúde mental. Siga o blog e não perca nenhum texto!

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2 comentários em “Felicidade clandestina”

    1. Com certeza é difícil. Mas a parte mais complicada não é o que vem de fora, mas o que perdemos por dentro. Sabe, quase sempre as pessoas acham que sou uma década mais jovem do que de fato sou. Genética? Talvez. Mas também porque sempre tento manter um modo de agir leve e alegre. E o olhar de encantamento com as coisas. Quando gosto, adoro. Quando me animo, mal consigo dormir. E tento dar valor e me sentir grata pelas pequenas coisas e também por todas essas facilidades. Em outros tempos não poderia estar aqui, escrevendo, em contato com tantas pessoas… Dar esse valor impede que a gente veja tudo de forma tão banalizada

      Curtido por 1 pessoa

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