Pessoas Altamente Sensíveis

Mesmo correndo o risco de soar repetitiva, acabo sempre frisando a importância de falar sobre doença mental. Em textos, conversas e comentários destaco a necessidade que ainda temos de explicar como de fato são os transtornos psíquicos, para desfazer equívocos e diminuir a psicofobia. Mas falar sobre saúde mental não é importante somente para que entendamos melhor as doenças e seus sintomas e possamos combater o preconceito e o estigma associado aos transtornos. Falar mais e mais também estimula e realização de mais pesquisas na área da Neurologia voltada para doenças mentais. Ainda há muito a descobrir sobre o cérebro, as causas e a cura de transtornos afetivos. Na verdade, as causas da maioria das doenças mentais ainda são desconhecidas, e só temos hipóteses do porquê surgirem e de que forma. Também não sabemos exatamente como os medicamentos agem no cérebro, apenas observamos resultados, sem conhecer todos os efeitos. Recordo minhas aulas de Neuroanatomia e Neuropsicologia na faculdade, há quase uma década. E vejo que poucas descobertas relevantes foram feitas desde então. O cérebro é misterioso, e impõe a nós uma série de obstáculos para desvendá-lo.

cérebro bipolar

 

Mas, ao olhar ao redor, vejo um interesse cada vez maior em conhecer as doenças psíquicas, desvendar como ocorrem as emoções e descobrir as características de nossos traços de personalidade. E é sobre este último que falaremos agora. Especificamente sobre um traço de personalidade que corresponde a cerca de 20% da população, conhecido como Pessoas Altamente Sensíveis (PAS).

Durante muito tempo as PAS foram chamadas, de forma equivocada, de excessivamente emotivas ou extremamente tímidas. Mas as pessoas altamente sensíveis na verdade são indivíduos que possuem uma grande capacidade de empatia e, por isso, acabam absorvendo a energia do ambiente. Sabe quando você está conversando com uma pessoa que só reclama da vida e começa a se sentir mal ou desanimado? Uma pessoa altamente sensível sente esse efeito de forma muito intensa, o que a abala emocionalmente. E sentem-se muito desconfortáveis quando cercadas por negativismo, tristeza e/ou violência. Até mesmo filmes e jogos violentos podem causar aflição a alguém com esse traço de personalidade.

A sensibilidade das PAS se manifesta também de forma enfática através dos sentidos – visão, audição, olfato, paladar e tato. Um ambiente barulhento e caótico, com muitas pessoas e situações ocorrendo ao mesmo, sobrecarregam as PAS. Por isso pessoas altamente sensíveis preferem ambientes calmos e passar mais tempo sozinhas. Essa necessidade de espaço e sossego faz com que sejam consideradas tímidas. A timidez, entretanto, surge do receio de um julgamento negativo por parte do outro, o que cria uma barreira para a pessoa tímida desenvolver relações. As PAS, por outro lado, podem ser comunicativas, mas, por sentirem tudo mais intensamente, precisam de um tempo a sós para recuperarem a energia.

Muitos são os equívocos relacionados às caraterísticas desse traço de personalidade. Engana-se quem pensa que somente mulheres são pessoas altamente sensíveis; as características de PAS são igualmente observadas em homens e mulheres. Também não são pessoas fracas, apenas sentem com mais intensidade e preferem evitar conflitos. Mas PAS podem se sentir pressionadas pela sociedade, dependendo também da cultura em que estão inseridas, a mudar suas características. PAS podem chorar com maior facilidade e reagir mais intensamente a críticas, o que costuma ser mal visto. PAS também podem acreditar que deveriam ser mais sociáveis, e acabam se colocando em situações desconfortáveis. Mas é preciso ter atenção e respeitar seus limites. E também ficar atento, pois pessoas altamente sensíveis podem ser mais propensas a desenvolver depressão e ansiedade se tiverem sido expostas a muitas situações traumáticas e sofrimento. Além disso, vale destacar as características das PAS se devem a questões biológicas que fazem com que o cérebro processe as informações e reaja a elas com maior intensidade. Assim, é essencial para a saúde das PAS que se protejam do estresse e da sobrecarga emocional.

Por outro lado, as características das PAS podem ser benéficas à saúde mental, caso vivam num ambiente saudável. Pessoas altamente sensíveis conseguem expressar seus sentimentos com facilidade e de forma mais precisa. Também sentem-se bem sozinhas e podem tirar grande proveito dos momentos a sós. Elas analisam com frequência os próprios sentimentos. No trabalho, podem se destacar pela atenção aos detalhes, criatividade e grande senso artístico. Pessoas altamente sensíveis também são capazes de fazer uma leitura apurada do ambiente e das outras pessoas, percebendo o que o outro sente e pensa, e notando rapidamente o que pode causar desconforto às pessoas. Por exemplo, notam se a luz do ambiente está muito forte e se isso está incomodando as pessoas. Além disso, por conta do forte sentimento de empatia, PAS estão mais dispostas a ajudar outros indivíduos.

Você se identifica com essas características ou conhece uma pessoa altamente sensível? Então me conta aqui nos comentários!

 

 

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Texto escrito especialmente a pedido da Gerlusa, do blog Agridoce ❤

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22 comentários em “Pessoas Altamente Sensíveis”

  1. Ai que lindo, Bia! Fiquei muito feliz porque se fala pouco sobre PAS ainda e quem tem alta sensibilidade sente tudo com tanta força, é bonito, mas dóis! Gratidão profunda pelo teu trabalho de escrita e esclarecimento sobre saúde mental!

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  2. Eu não conhecia PAS, mas tlvz tenha conhecido pessoas assim.
    Não percebi bem se a pessoa nasce assim ou torna-se assim. Lá vou bater na mesma tecla. 😊
    Eu tinha uma tia que gostava muito de ver telenovelas. Eu não conseguia ficar no mesmo ambiente com ela. Ela chorava, ela falava com os personagens, enfim eu via a hora dela partir a tv.

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    1. Oi Miau! É um traço de personalidade, e quando falamos em personalidade algumas características já estão presentes desde o início daquela vida e outras vão se desenvolvendo, especialmente na primeira infância. No caso de PAS, já vem desde o início, pois há uma questão biológica envolvida, a forma como o cérebro reage a estímulos. Mas também é importante lembrar que a pessoa precisa ter a maioria das características e em intensidade considerável. Assim, se emocionar com filmes e novelas é um comportamento que aparece em várias pessoas, não necessariamente em casos de PAS.

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    1. Verdade, Cris! Pode parecer que a pessoa é rude, pois se isola e não se sente confortável em vários ambientes. Mas isso não significa que não gostem de interagir com outras pessoas. O barulho e o excesso de estímulos dos ambientes que dificultam a interação.

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  3. Muito interessante!
    Não acho que eu chegue a esse ponto, mas tenho uma sensibilidade mais apurada, grande empatia também. E o ambiente me influencia bastante também.
    Parabéns pelo texto e por passar aempre informações são tão interessantes. 😊

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  4. Adorei o texto me identifico,mas atualmente não estou em um bom ambiente, com a minha sensibilidade eu sinto fácil e me deixa pra baixo, ajuntando com o transtorno Bipolar.

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    1. É um processo, Naty. A gente primeiro descobre o que tem, e depois vai aprendendo a lidar com nossos transtorno e nossa personalidade. E aprende também a respeitar o nosso tempo e as nossas possibilidades. Nem sempre podemos mudar o ambiente à nossa volta, daí temos que fazer o melhor possível para conviver com ele. Obrigada pelo comentário! ❤

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  5. Muito obrigada pelo texto, vim buscar mais informação sobre, pois fui diagnosticada com APAS a pouco tempo … Faço terapia a dez anos, há oito fui diagnosticada e medicada por apresentar sintomas de depressão, mas meu quadro oscilava muito e cheguei a depressão profunda.
    Hoje finalmente sei o que tenho, minha medicação foi alterada e começo a sentir os resultados.
    O processo é longo, mas não desistam, peçam ajuda !

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  6. Bia, parabéns pelo texto! Eu nunca tinha escutado falar de PAS. Parece que você me descreveu. Não sou tímida, pelo contrário, gosto de interagir mas gasto muita energia com isso. Sendo professora e absorvendo tanta energia ruim eu adoeci. Primeiro com síndrome do pânico, depois depressão, e por último com episódios de mania, fui diagnosticada com bipolaridade. Isso tudo de 2 anos pra cá. Tenho 42 anos. Seu blog tem me ajudado a entender a doença e minha personalidade! Obrigada!

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