Como conviver com a bipolaridade

conviver com bipolaridade

 

Uma das principais perguntas que fazem os familiares e amigos dos portadores de transtorno bipolar é como conviver com o bipolar e com os sintomas da doença. Já vou dando um spoiler ao dizer que não existe um manual para seguir passo a passo. Mas podemos refletir sobre alguns pontos relevantes que podem ajudar a manter um relacionamento saudável com um bipolar.

Antes de mais nada, é importante que as pessoas próximas a bipolares entendam que a doença, especialmente quando não tratada, pode ser debilitante e devastadora. O bipolar passará por enorme sofrimento mental, emocional e físico. E não consegue controlar suas oscilações de humor. Ou seja, ele não faz por mal, ele não tem a intenção de magoar seus entes queridos. Aliás, perceber que faz mal àqueles que ama é um fator de piora no quadro da bipolaridade e um pensamento que pode levar ao suicídio.

Por isso é essencial incentivar o bipolar a procurar ajuda profissional. Lembrando que só um especialista poderá dar o diagnóstico de transtorno bipolar e que há vários outros transtornos com sintomas semelhantes, mas que exigem tratamentos diferentes. Ressalva para o palavra que usei acima: incentivar. Pois, a menos que você seja o responsável legal por um bipolar ou seja um caso crítico que necessite de internação, não é possível forçar o outro a fazer o que desejamos. É importante mostrar que o tratamento pode ajudar a pessoa a ter uma vida melhor, apoiar, ir junto ao médico e até mesmo lembrar de tomar os medicamentos corretamente caso o bipolar aceite ou peça essa ajuda. Mas, em todo caso, a escolha de qual tratamento seguir se dará entre o bipolar e o profissional que o atenderá. É necessário respeitar as decisões que o portador de transtorno bipolar tomar. É preciso lembrar que a pessoa, apesar da doença, mantém sua capacidade cognitiva e possui o direito à escolha. Claro que nem sempre as pessoas fazem as melhores escolhas, e isso acontece com todos, bipolares ou não.

Para poder orientar o bipolar e conviver com seu sintomas é preciso conhecer a doença. Saber como acontecem as oscilações de humor, quais sentimentos surgem na depressão e na mania, quais os sintomas físicos associados ao transtorno, quais os indícios de que o bipolar está pensando em suicídio. Hoje há muita informação disponível em livros, blogs, artigos científicos, palestras, vídeos, grupos de apoio, e outras fontes. Mas é necessário compreender que nem todos os sintomas aparecem da mesma forma e na mesma intensidade em cada bipolar. Não é possível colocar numa caixinha todos os bipolares e esperar que todos sejam a mesma pessoa e ajam da mesma forma. Então, nada de generalizar! Cabe lembrar também que nem tudo é sintoma. Muitos comportamentos farão parte da personalidade da pessoa, não da doença. E outros comportamentos serão resposta a situação da vida. Afinal, todo mundo fica irritado com o que desagrada muito, todo mundo fica triste quando algo ruim acontece, e todo mundo fica feliz quando consegue algo que queria muito. Ficar irritado, triste ou feliz em situações nas quais esses sentimentos cabem como reação não é sintoma nem indício de uma crise bipolar, mas apenas alguém vivendo a vida.

Relacionamentos são complicados. Quanto maior a proximidade, mais complexos ficam. As pessoas pensam e sentem de forma única, e pode ser difícil se colocar no lugar do outro. Um transtorno afetivo pode ser um fator que irá complicar ainda mais essa árdua tarefa de conviver com outro ser humano, que possui ideias, comportamentos e desejos diferentes dos nossos. Às vezes é preciso se afastar um pouco e se preservar quando há muitos conflitos. Saber que todos temos nossos limites. Noutras vezes é possível ter empatia e apoiar. Em muitos casos basta ficar junto e ouvir sem julgar. Um diálogo aberto e sincero é sempre necessário, e traz efeitos benéficos a todos. Conversar é essencial. Respeitar também.

Empatia, aceitação, respeito, diálogo, carinho, atenção e paciência são palavras-chave na convivência com a pessoa com bipolaridade.

Nem sempre dará certo fazer o melhor possível para conviver com o outro. Em alguns dias as brigas e os sofrimentos não podem ser evitados. Mas ter uma rede de apoio é um fator decisivo na estabilidade do portador de transtorno bipolar. E buscar ter um bom relacionamento e apoiar quem tem bipolaridade pode salvar uma vida.

 

Este texto foi escrito especialmente a partir da sugestão da amiga blogueira O Miau do Leão. ❤

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9 comentários em “Como conviver com a bipolaridade”

    1. O transtorno depressivo (depressão) costuma ser confundido com a fase depressiva do transtorno bipolar (sendo que nem sempre a mania aparece com frequência. Além de ser menos intensa em alguns bipolares, quando é chamada de hipomania). O transtorno de personalidade borderline apresenta muitos sintomas em comum com a bipolaridade, tais como as oscilações de humor. A esquizofrenia também pode gerar confusão, uma vez que alguns bipolares podem apresentar episódios de psicose durante as crises. Por isso é importante que o diagnóstico seja realizado por um profissional! 🙂

      Curtido por 3 pessoas

  1. Tem uma coisa que gosto muito no seu discurso: pensamento linear. Você não fica dando voltas “no deserto”, curtindo meramente o problema. Sempre tu parte da adversidade para a solução ou para a compreensão do transtorno. Isso é muito bom! Continue redigindo assim!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Ótimo texto, muito esclarecedor!
    E concordo com tudo.
    Destaco a impotância de lembrar que a pessoa tem um transtorno e certas atitudes não são propositais, como você disse.
    Nesse sentido eu me sinto muito ‘sortuda’. Meu marido sempre foi muito compreensivo nesse sentido.

    Curtido por 1 pessoa

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