Como não ser infeliz

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Felicidade. O objetivo supremo da existência. O caminho que todos precisam percorrer. É a garota-propaganda do marketing. É o produto em destaque nas gôndolas dos supermercados. É anunciada em toda a internet. Aparece em capas de livros e revistas. Felicidade enlatada é a última moda. Mas, se hoje tudo é voltado para a felicidade, por que tantas pessoas infelizes?

Acredito que nunca antes na história da humanidade se buscou tanto a felicidade, a realização e a plenitude. Assim como nunca antes se experienciou tamanho vazio existencial e angústia, que se manisfestam em bipolaridade, depressão, ansiedade. E eis que percebo que a felicidade e o vazio existencial têm muito em comum. São intangíveis e não se voltam a objetos. Veja bem, ao contrário do que se vende, a conquista de determinado bem material não produz felicidade, mas prazer. E este é momentâneo; logo se passa a desejar outro objeto, e outro objeto, e outro objeto. A felicidade – a verdadeira – não se volta a nada externo. Assim como o vazio. Ele é diferente do medo. Se tenho medo, tenho medo de algo. Medo de barata: se não houver barata, não há medo. Mas o vazio existencial vem de dentro.

Como bipolar, já vivenciei os extremos. Então olhei com cuidado para todos os piores e melhores momentos da minha vida. O que possuem em comum? Percebo que felicidade é estar bem em relação a como sua vida está. É um alinhamento entre expectativa e realidade. E a infelicidade é alimentar ilusões sobre a felicidade. É empreender uma corrida louca atrás de uma felicidade pautada em cliques, cheia de expectativas irrealistas. É tentar controlar cada detalhe e desejar a perfeição: corpo perfeito, carreira perfeita, relacionamento perfeito, vida perfeita.

Muito mais simples do que é ensinado em guias e livros, não há passos para a felicidade. Não há um modelo único de felicidade. Existem os altos e baixos: momentos. Existe aquilo que levamos no peito. No fim, a questão não é como ser feliz, mas sim como parar de nos fazer infelizes.

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16 comentários em “Como não ser infeliz”

  1. Bia, primeiro vou rir 😁😁😁😁
    Eu tive já tantas conversas sobre esse tema “felicidade” com a pessoa bipolar q é mais próxima de mim. Quase sempre em períodos da depressão, acho eu.
    Eu preciso confessar era uma luta. Melhor, eu sentia-me puxando uma pessoa bem mais pesada do q eu de dentro de um buraco, ou qq coisa parecida.
    Eu tinha q dizer coisas q não acreditava, q não sabia bem, p levantar a pessoa. Era super desgastante p mim.
    E essa pessoa, pelo q percebo, é muito perfeccionista. Aí, é q morava o drama. Como dizer a um perfeccionista q a felicidade existe? Eu dizia o q eu sentia, eu dizia a minha verdade. A felicidade e o seu inverso não são infinitas. Elas coexistem em saldos positivos e negativos. É como vc bem disse, é estar bem com a vida q tem.
    Há uma música portuguesa que diz: só estou bem onde não estou.
    Para já é isso. Eu tenho q reler esse texto. 😂 E, espero q essa pessoa nunca encontre o seu blog. 😂😂😂😂
    Ah..eu estive pensando sobre vitimização, e fiquei refletindo se não haveria alguma confusão com provocação. Veja, eu falo com a experiência de duas pessoas q conheço, sendo uma pessoa mais q a outra.

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    1. Felicidade. Com certeza é difícil pensar nisso durante a depressão. Parece tão distante. Mais distante do que já costumamos sentir. Porque sempre associamos felicidade com algo que não controlamos: serei feliz quando tiver sucesso, um relacionamento, puder comprar um carro ou celular novo.. Mas sucesso financeiro depende de muitas variáveis, relacionamento não é feito só por um, coisas materiais quebram… E nada disso traz felicidade. É difícil parar e ver que é muito mais simples, e que deve ocorrer dentro de nós.

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      1. Bia, foi perfeito seu insight comparando prazer e felicidade. Na minha opinião é preciso buscar dentro de nós mesmos o que nos motiva, os que nos move para a frente de forma sustentável, não só prazeres passageiros.
        Parabéns por seus textos sempre tão contundentes!!
        Ju

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  2. Bia, onde a gente clica pra curtir mais vezes?! Amei o trecho: “A questão não é como ser feliz, mas sim como parar de nos fazer infelizes.”
    Sem auto boicote, tratando nosso interior, problemático às vezes, assim como cuidamos daqueles que amamos. Afinal, se não formos nossa primeira amiga e parceira, como os outros serão, né, Bia?! Curto muito seus textos!

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    1. Obrigada, Elaine!!! E exatamente essa a questão central: se tratar bem, ser sua amiga, encontrar esse ponto interno no qual você se sente confortável com suas qualidades e defeitos, com suas decisões. E então, independente de estar dando tudo certo ou errado ao seu redor, você pode continuar sentindo esse apreço por si mesma! 🙂

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    1. Temos essa tendência a comparar, mas também temos o costume de tentar mostrar só o lado bom, só postamos fotos de férias, fotos bonitas, bem editadas, bem maquiadas. Então estamos sempre comparando o nosso completo (altos e baixos, qualidades e defeitos) com o lado bom e editado dos outros

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  3. Ótimo texto, ótima reflexão.
    Pra mim, felicidade não podem ser alguns momentos. Não necessariamente algo constante.
    Mas principalmente, isso que você disse “É um alinhamento entre expectativa e realidade.”

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  4. A felicidade é momentânea. Como todas as outras emoções. E isso me deixa feliz, porque imagine… Ser feliz para sempre poderia ser entediante!
    Aprendi que precisamos de certas emoções, inclusive a tristeza para manter o ciclo da vida em ordem. Jamais saberíamos apreciar a felicidade, se antes não tivéssemos sido tristes.

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  5. Muito bom! Gostei muito da parte “A questão não é como ser feliz, mas sim como parar de nos fazer infelizes.” É uma ótima ideia para pensar 😀

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