Vida

O movimento da faca, metódico, compassado. A cebola na tábua de corte. Seu ardor quase lacrimejando os olhos. Alho, pimentão, pimenta dedo-de-moça. Os temperos e os cheiros vindos da panela. Mexer com colher de pau. Tudo ao som da máquina de lavar roupa. As peças separadas. Lava, estende, recolhe do varal.

O almoço preparado e servido. As louças sujas na pia. Os copos e garfos e pratos e assadeiras limpos no escorredor. A toalha da mesa com pingo de molho. A toalha de banho, agora úmida. As roupas já dobradas nas gavetas.

Os fios de cabelo no chão. O pó nos móveis. O caminho para o trabalho. Os mesmos rostos, os mesmos deveres. Os finais de semana e feriados, com filmes, pizza, pipoca. Os livros não lidos. A reunião de trabalho. O salário e as contas a pagar.

Os passeios, parque, campo, praia. A água gelada, o calor do verão. O sorvete na esquina, a cerveja do bar, o churrasco de domingo. O café coado todos os dias. Lembranças da infância e esquecimento de tudo. O beijo de boa-noite, o beijo de despedida.

A chuva de verão. O inesperado! O que é breve e belo. O que desnorteia.

A dor e o júbilo.

E o movimento preciso da faca.

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Noites insones

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Nas noites insones, aprendi a reconhecer nos sons a passagem do tempo. O barulho da geladeira, o relógio cuco da vizinha contra o silêncio da madrugada, os meus batimentos acelerados. Cada um marcando um período que se foi antes que eu dormisse. Quanto tempo passou e quanto tempo ainda resta, uma matemática simples.

As lembranças atrapalham o cansaço. Meu erros e acertos colocados em exposição — um museu de minha trajetória. Então me detenho em algumas de quase uma década atrás.

Costumava passear na Vila Madelena, em São Paulo. Ia sempre sozinha. Embora tivesse vários amigos e conhecidos para as madrugadas de álcool, música e risos, nas tardes de sábado saía sozinha. Pessoas querem ir para um destino certo. Eu não tinha endereço. Seguia rumo à Vila Madalena, mas podia mudar de ideia e parar no Centro Cultural São Paulo. Às vezes encontrava um barzinho agradável, fazia amizade e ficava até o anoitecer. Às vezes tomava um café perto da conhecida livraria e voltava sob o sol ainda quente.

Gostava de seguir por onde parecesse interessante. Entre as lojas e os restaurantes. Padarias e espaços de meditação. Os bares. As galerias de arte. Os grafites fora e depois dentro. Ou então só passava em frente aos locais, sem entrar em nenhum, apenas observando construções e pessoas. E isso para mim era a definição de liberdade.

Eis que o cuco se manisfesta com um acorde a mais, e me desperta de meus devaneios. Ainda resta tempo.

Trem noturno para Lisboa

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“Deixamos algo de nós para trás ao deixar um lugar. Permanecemos lá, apesar de ter partido. E há coisas que reencontramos ao voltar. Viajamos ao nosso encontro quando vamos a um lugar onde vivemos parte de nossa vida, por mais breve que tenha sido. Mas, indo ao nosso encontro, temos de confrontar nossa solidão. E não é por isso que tudo o que fazemos se deve ao medo da solidão? Não é por isso que renunciamos às coisas das quais nos arrependeremos no fim de nossas vidas?”

Do filme Trem Noturno para Lisboa

 

 

 

10 minutos para a felicidade: um experimento

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Por conviver há mais de duas décadas com minha bipolaridade, sei que não existem soluções simples e milagrosas para os transtornos mentais. Nem mesmo fórmulas mágicas para solucionar problemas e garantir a felicidade. E essa visão de mundo me fez ser mais crítica em relação a tudo que vejo. Por outro lado, não recuso ferramentas que possam me ajudar ou tornar minha vida mais agradável. Mas para saber se algo funciona ou não, ajuda ou não, é preciso testar.

Assim, quando vi uma matéria da BBC sobre um exercício mental que pode ajudar pessoas a se sentirem mais felizes, minha reação foi imediata: vou testar. E agora trago minhas conclusões.

O exercício mental consiste em responder diariamente as perguntas abaixo:

  1. Que experiências, por mais mundanas que sejam, te deram prazer?
  2. Que elogios e retornos você recebeu?
  3. Quais foram os momentos de sorte?
  4. Quais foram suas conquistas, por menores que sejam?
  5. O que fez você se sentir grato?
  6. Como você expressou gentileza?

 

Logo no primeiro dia, já observei alguns pontos que nortearam todo o experimento:

 

Dia 21 – quarta

Humor do dia: desânimo 

  1. Jantar lasanha 
  2. Nenhum elogio 
  3. Silêncio enquanto estava lendo 
  4. Cumprir todas as tarefas agendadas do dia 
  5. Ter sempre muitas ideias e ser criativa 
  6. Resposta fofa a uma leitora 

Obs.: Dia bem ruim. Olhei para a lista de perguntas e desejei ter escolhido o experimento que consiste em escrever apenas 3 coisas pelas quais foi grato naquele dia. Item 2 foi bem desanimador.

 

O número de questões foi um obstáculo. E devo confessar que deixei de respondê-las num dia ou outro. Também anotei, nas observações de alguma data, que as perguntas me pareceram repetitivas. Mas esse não foi o principal entrave, ou problema, do exercício. Comecei um experimento numa semana em que estive com depressão. Até senti-me grata por isso, veja só, pois assim poderia testar a técnica melhor. Fato é que não ajudou em nada rever, ao final de cada dia, que nada de significativo havia ocorrido. Em certo dia cheguei a anotar “nenhum momento de sorte” e “nenhuma conquista”, e respostas parecidas se repetiram durante a primeira semana.

Durante a segunda semana, meu humor melhorou. Não por causa desse exercício, preciso ressaltar. Mas minhas respostas melhoraram porque minha vida, ou minha percepção dos dias, melhorou. E então tornou-se prazeroso rever momentos positivos.

Imagino que o objetivo desse exercício mental seja possibilitar que a pessoa desenvolva o sentimento de gratidão, e que passe a dar valor até mesmo às pequenas coisas boas do dia a dia. Comer uma comida gostosa, as flores na primavera, a sombra de uma árvore, uma palavra gentil de uma pessoa querida, um abraço. E tudo isso é extremamente válido e benéfico.

Entretanto, em meio a uma crise de depressão é praticamente impossível buscar essa visão otimista. Como responder a “quais foram suas conquistas, por menores que sejam” quando você mal conseguiu sair da cama? Ou quando não conseguiu sair da cama? Tais questões podem fazer uma pessoa se sentir muito pior em um momento de enorme vulnerabilidade. E é necessário estar ciente dessas questões ao se propor algo para aumentar a sensação de felicidade. Afinal, muitas pessoas que se sentem atraídas por essas técnicas são justamente aquelas que não se sentem felizes.

Uma pessoa que, ao contrário, já se sente bem poderá ver benefícios em tal técnica, mas será que seu bem-estar veio através do exercício? De maneira geral, parece que quem está bem tende a continuar bem, e quem está mal tende a continuar mal. Pois o humor altera nossa percepção do entorno. E para quebrar esse padrão será necessário algo além de “apenas seis passos simples”.

A criadora do método alerta que quem sofre de um transtorno deve procurar ajuda profissional. Mas, olhando além da doença mental, vejo que tal técnica não é capaz de produzir uma mudança de percepção. Uma pessoa que não possui um transtorno, neurotípica, mas cuja situação de vida lhe parece terrivelmente desagradável, poderia ter sentido o mesmo que eu na primeira semana do experimento. Isso porque tais métodos são muito genéricos, tais como livros de autoajuda (ainda irei falar sobre autoajuda, seus prós e contras, de forma mais detalhada em outro texto). E o bem-estar causado por eles é passageiro, não transformador. Não significa que não possam ser bons, mas não podemos esperar deles mais do que aquilo que podem nos dar.

A depressão é pop

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Aparentemente os transtornos mentais são a nova virose nos consultórios médicos.

Nunca se deu e recebeu mais diagnósticos psiquiátricos do que agora. E a depressão é o mal do século. E a depressão é pop. E o Rivotril é distribuído como balinhas de açúcar por ginecologistas, cardiologistas e traficantes engravatados.

Olho ao meu redor. Sim, há muito estresse. E muita pressão. As redes sociais e os aplicativos nos fazem desejar a vida perfeita (inexistente) e a felicidade surreal (irreal). Nossa sociedade causa mais sofrimento. Mas sofrimento não é sinônimo de transtorno mental. As doenças mentais não são construídas tão somente no campo do psicológico, nem mesmo apenas no social. São doenças biológicas, genéticas. Ou seja, sua depressão não liga para o caos à nossa volta. O sofrimento humano pode (ou não) desencadear crises de um transtorno preexistente, mas não faz surgir a doença do nada.

O nosso problema atual, a causa desse surto de virose, é nossa incapacidade em lidar com a dor. Não que não exista uma maior incidência de transtornos mentais. Vejo que mais pessoas buscam tratamento, quando antes sofriam em silêncio. E mais pessoas falam sobre transtornos mentais, os desmistificando, fazendo com que outras possam identificar os sintomas e saber que tipo de ajuda procurar. E, sim, o mundo atual gera mais crises; sendo assim, é mais fácil para os indivíduos notarem que algo está acontecendo, que possuem uma doença.

Por outro lado, nem toda dor deveria ser patologizada e medicalizada. Se você, por exemplo, está triste porque seu cachorro morreu isso não é depressão. O nome disso é luto. E quanto tempo dura o luto? Não há resposta para isso. Depende do laço afetivo, da proximidade, da sua personalidade, de diversos fatores. Mas se, dia após dia, noite após noite, você chora até soluçar, sem parar, por conta da falta de seu cachorro, e já não come nem dorme, talvez o luto tenha desencadeado uma crise depressiva. Não é uma depressão episódica. Não existe depressão episódica, não existe depressão causada por um evento traumático. O nome de quando um evento leva à depressão é gatilho. Mas a depressão já estava ali, ainda que sem mostrar sintomas.

Depressão não é somente tristeza; é apatia, é falta de energia, falta de prazer com a vida. Depressão é sentir-se mal quando tudo ao redor está bem. É também ter uma resposta desproporcional a uma situação negativa. É sofrer muito e não entender o porquê. Mas, ao contrário, ficar triste quando algo ruim acontece é uma resposta natural. Faz parte de estar vivo. E podemos aceitar os sentimentos desagradáveis, viver e superar o luto, ter dias tristes, acordar com pé esquerdo de vez em quando e não nos desesperar com isso. Afinal, buscar essa felicidade gigantesca e eterna gera mais frustração do que ver que nem todos os dias são maravilhosos. Alguns são incríveis, outros são terríveis. Temos dias felizes, cansativos, tranquilos, entediantes, apaixonantes, tristes. E tudo bem.

As diferentes doenças

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Ontem deixei de comparecer a um compromisso social, um aniversário. Estou com sinusite, e minha cabeça latejava. Mas também estava deprimida.

Foi fácil dizer que estou com sinusite. É confortável, simples, todos compreendem e balançam a cabeça em solidariedade.

Mas não citei a depressão. Ao contrário da sinusite, esta é incômoda. É pouco compreendida. É mal-vista.

Sinusite: tudo bem, faça repouso. Depressão: ah, mas se esforce um pouco porque você precisa sair desse humor.

Sinusite: tome um comprimido e descanse. Depressão: você precisa pensar de forma positiva.

Mas eu estava com sinusite, estava segura sob o véu da inflamação. Se não tivesse essa proteção, será que falaria com tanta facilidade sobre a doença que apertava meu coração?

São duas doenças, duas inflamações. Mas com percepções muito distintas.

 

Entrevista – Universidade São Judas

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Recentemente fui entrevistada pelo Gilton, aluno do último ano de graduação do curso de Jornalismo, da Universidade São Judas. A entrevista faz parte de um livro-reportagem sobre criadores de conteúdo na internet. Pedi autorização a ele para publicar a entrevista aqui no Bipolar e Afins.

– Oi Bia, tudo bem? Obrigado por topar fazer parte dessa entrevista e desse projeto de livro-reportagem! Já começando, gostaria que você me respondesse: quem é Bia Ribeiro?

– Sou escritora. Tenho um blog chamado Bipolar e Afins, no qual falo sobre transtornos mentais. Questiono os preconceitos sobre as doenças mentais e faço reflexões sobre a sociedade atual, que tem nos feito adoecer cada vez mais. Meu objetivo como escritora é informar e trazer novas perspectivas. Também sou autora do livro Árvores Tímidas, que fala sobre minha experiência pessoal com o transtorno bipolar.

 

– Quando você começou a escrever?

– Não tenho como apontar nem o porquê nem quando precisamente comecei a escrever. Quando criança ler era tão natural e presente quanto brincar. E logo depois comecei a escrever. Mas não compartilhava com ninguém meus textos. Faz pouco tempo que resolvi falar para outras pessoas, pois havia um motivo forte. Hoje escrevo sobre transtornos mentais, e acredito que é importante desmistificar essas doenças.

 

– E qual a sua “agenda” de posts? De quanto em quanto tempo você posta? Tem uma regularidade?

– Publico dois ou três textos semanais, e tento manter essa frequência.

 

– Você já saiu dessa frequência alguma vez? Ou sempre a mantém fielmente?

– É difícil manter. Porque não são somente os textos. Há toda uma interação com o público que demanda tempo. Mas até hoje apenas uma vez ou duas publiquei menos do que o planejado.

 

– E nessas vezes em que você não seguiu o planejado ficou frustrada? Ou com algum sentimento assim?

– Sim, fiquei desapontada. Não somente por não fazer o que gostaria, ou não conseguir produzir. Mas porque falhar está muito associado ao tema sobre o qual escrevo. Se não estou bem para escrever, será que posso me colocar no papel de alguém que aconselha quem também está mal? Mas depois parei de me cobrar tanto. Isso serviu também como uma reflexão importante em meus textos: nem sempre estaremos 100%, e tudo bem. É preciso aprender a lidar com isso.

 

– E como é o seu público? Existe uma interação entre você e eles?

– Meu público é muito diverso. Há portadores de vários transtornos mentais, bem como familiares de portadores e pessoas que pouco tiveram contato com doenças mentais. Recebo tanto pedidos de ajuda de quem está passando por um momento crítico quanto perguntas de quem deseja saber mais sobre o assunto ou acabou de receber o diagnóstico. Eu estou sempre em contato com os leitores, e muitos acompanham o meu trabalho desde o início.

 

– Interessante. Existe uma demanda deles de interação, e de publicação? Ou a demanda vem de você mesma?

– Existe uma demanda forte do público. Transtornos mentais são acompanhados de um estigma gigantesco. Há falta de informações. Há também informações incorretas. São muitas as dúvidas, e sempre recebo perguntas. Além disso, muitas vezes as pessoas não contam para amigos e familiares que receberam um diagnóstico de transtorno mental. Sentem vergonha de dizer que têm depressão ou transtorno bipolar. Noutras vezes compartilham e não recebem apoio, somente mais preconceito. Então alguns não têm com quem falar sobre aquilo que sentem.

 

– E eles vão então falar com você sobre tais transtornos?

– Sim. Recebo e-mails com pessoas me contando a vida inteira e tudo o que pensam e sentem. Alguns seguidores me mandam mensagem sempre que estão desanimados, ou quando entram em crise. Outros me mandam dúvidas sobre sintomas. Recebo perguntas desde tipos de tratamentos até como manter relacionamentos. E muitos desabafos e pedidos de ajuda.

 

– E você se sente pressionada por isso? Por esses pedidos de ajudas e desabafos?

– Sim, com certeza. Mas também sinto muita compaixão. É muito difícil não ter com quem conversar. É terrível sentir um sofrimento arrasador e não ter apoio. Eu compreendo. E ouço todos que me procuram. Às vezes ouvir já traz muito alívio para quem se sente só. Mas todo o processo – conceber os textos, escrever, responder mensagens – envolve muita responsabilidade. E muita pressão. Eu me cobro para fazer sempre o melhor possível. Sempre penso que a pessoa do outro lado da tela pode estar num momento difícil, pensando em suicídio, não enxergando saída. Então é preciso refletir antes de cada palavra que escrevo.

 

– E em dias que você não está se sentindo muito disposta, ou estava ocupada com outras coisas, você já as deixou de lado para escrever? Ou não escreveu?

– Escrever é sempre mais importante. Está além de mim. Então deixo meus próprios problemas de lado para fazer aquilo que acredito ser necessário. Escrever sobre transtornos mentais é informar quem precisa, e também combater o preconceito e a psicofobia. Escrevo tanto para quem tem um transtorno quanto para quem desconhece as doenças mentais. Não escrever deixa de ser opção quando penso em como um texto pode ajudar outra pessoa. E sei por experiência própria que ler sobre transtornos é essencial. Aprender e saber que mais alguém sente o mesmo ajuda muito. Eu sou bipolar. E, durante as minhas piores crises, não tive com quem compartilhar.

 

– A escrita, que tem tanta importância e prioridade para você, já criou algum tipo de situação desconfortável com pessoas próximas? Família, namorado ou amigos?

– Não, eu tenho sorte de receber muito apoio e incentivo da minha família. Foi justamente meu noivo quem sugeriu que eu escrevesse um livro sobre minha experiência com o transtorno bipolar e me ajudou a iniciar o blog. As situações desconfortáveis que vivenciei foram por causa do meu diagnóstico, não por causa da escrita.

 

– Em relação à bipolaridade, ela influencia de alguma forma a sua escrita?

– Eu escrevo sobre algo que faz parte da minha vida. Meus textos aliam minha experiência pessoal com meus conhecimentos. Como cada pessoa vivencia os sintomas de forma diferente e cada transtorno tem características próprias, estudo muito. Sempre leio pesquisas científicas, acompanho notícias, amplio meus conhecimentos em psicologia, psiquiatria e neurologia. Mas continuo sendo bipolar. Minha bipolaridade não prejudica meu trabalho. Pelo contrário, meu transtorno bipolar me fornece mais conhecimento. Mas meu trabalho não me deixa ficar longe da minha bipolaridade. E, às vezes, tudo o que uma pessoa portadora de um transtorno quer é esquecer sua doença por um tempo. Isso eu não tenho como fazer.

 

– E parar com o blog? Passa pela sua cabeça?

– Não pretendo parar. No fim do dia, sempre acho que poderia fazer mais. Que deveria escrever mais, me envolver mais com movimentos de luta antimanicomial, ajudar mais pessoas. Às vezes me preocupa pensar se poderei continuar por muito tempo, se outras atividades vão me tomar o tempo necessário para continuar. Mas irei até onde puder.

 

– Como você se sentiria se tivesse de parar agora?

– Sentiria que não fiz o suficiente.

 

– Você não acha essa autocobrança prejudicial?

– A parte boa do meu trabalho compensa toda cobrança que me faço. De qualquer forma, não seria possível fazer o que faço sem ter em mente a responsabilidade que isso exige. Pessoas morrem todos os dias por causa de transtornos mentais. A cada 40 segundos uma pessoa tira a própria vida. Quando recebo um agradecimento de um leitor todo o esforço faz sentido.